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Posts Tagged ‘30 dias druídicos’

E que conselho eu poderia dar para quem deseja ingressar nesta trilha e seguir a Tradição dos Druidas como seu caminho?

Bom, primeiramente é importante estudar muito, mas não apenas em livros. De fato os livros trazem muito conhecimento compilado, mas é necessário muito mais para transformar essa teoria descrita por outros em sabedoria. Conviva com outras pessoas desta mesma Tradição e aprenda o que elas tem a ensinar. Além disso observe a Natureza e seus ciclos: o crescimento das plantas, as diferenças climáticas durante o ano, as influências das fases da lua e seus próprios ciclos pessoais. Observe tudo isso e compare com o que aprendeu nos livros para só assim ser capaz de compreender o que as palavras impressas realmente representam.

É fundamental honrar sua ancestralidade e para isso é importante saber de onde viemos, quem trilhou esses caminhos antes de nós e quem são nossos antepassados. Saber como foi a vida deles, suas trajetórias e suas histórias e entender como isso se reflete em quem somos hoje.

Deve-se prestar homenagens aos deuses todos os dias e buscar manter uma amizade com eles. Saber reconhecê-los é interessante, mas mais importante que decorar extensas listas de nomes de deuses, é manter uma amizade muito próxima com alguns de cada vez, conhecendo-os em mais detalhes e tornando-se íntimo deles.

E por fim, deve-se entender que este é um caminho pessoal de crescimento e aprendizado, onde o próprio praticante é o principal responsável pelo seu desenvolvimento, mas que todos os dons recebidos devem retornar à comunidade através de cura e conselhos, justiça e préstimos.

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Bom, já conhecemos o passado do druidismo (ou deveríamos conhecer) e estamos vivendo um promissor presente, fruto do trabalho de diversas pessoas pelo mundo que vêm trazido a tona essa espiritualidade, desmitificando preconceitos e a apresentando como um caminho sério e válido para ser vivenciado na nova era da humanidade.

E por falar em eras, todos já sabem que estamos em um período de transição no pensamento humano para um momento que é conhecido como Era de Áquario. Mas o que é isso?

Talvez o que vou escrever aqui não seja uma novidade para todos, mas a humanidade tem passado por várias Eras de pensamento, cada uma delas é simbolizada por um signo zodiacal e com a espiritualidade intimamente ligada a este signo.

Por exemplo, estamos no final da Era de Peixes (em um período de transição), que se iniciou aproximadamente no último século a.E.C. Uma era regida pelo elemento Água, pela fertilidade e pela purificação. Ser regida pelas águas também instigou as grandes navegações que cruzaram os oceanos em busca do novo. Não é a toa que a religião dominante neste período tinha como símbolo primário o Peixe e em sua mitologia diversos pescadores, milagre de
multiplicação de peixes e outras aparições deste símbolo.

Antes desta, vivemos a Era de Áries regido pelo elemento Fogo e portanto uma época em que a divinização do Sol foi característica. E antes dela, a Era de Touro marcada pelo desenvolvimento da agricultura, onde diversas divindades bovinas foram cultuadas, como Ápis e deusa Hathor entre os egípicios. E antes disso passamos pelas eras de Gêmeos,
de Câncer e de Leão.

Mas o que tudo isso tem a ver com a Tradição dos Druidas e com o futuro do druidismo?
Bom, o símbolo da nova era que chega é o Aquário, mas também o cálice e o caldeirão, figuras representativas da nossa espiritualidade e isso já nos faz imaginar o que os próximos anos nos reservam.

Creio que está chegando o tempo dos buscadores, de todos aqueles que desejam encontrar o cálice/caldeirão sagrado da inspiração/cura/abundância para dele beber, para tornarem-se senhores de si mesmos e para fazer um mundo melhor. É nisto que acredito.

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Todos procuram a mesma coisa e existem vários caminhos para chegar até lá. Quem gosta do mar, viaja costeando a praia. Já quem gosta de árvores, segue pelo meio da floresta. Quem se incomoda com o calor, viaja a noite e quem prefere ver bem o que o rodeia, deve seguir durante o dia. Mas no fim todos os Caminhos levam ao mesmo lugar. Alguns demoram mais, outros menos, mas todos chegarão ao mesmo destino.

Deve-se evitar trilhar dois caminhos distintos ao mesmo tempo, pois com um pé em cada, podemos perder o equilíbrio e tombarmos. Ou quem sabe, podemos chegar a uma provável encruzilhada onde uma decisão será fundamental.

É preciso sabedoria para escolher ou ser escolhido pelo caminho mais apropriado. Mas depois desta escolha ter sido feita, devemos nos entregar ao caminho e aproveitar ele ao máximo.

O destino é o objetivo, mas o caminho é o ensinamento.

Quando me tornei motociclista percebi uma coisa interessante sobre viagens. Notei que viajando de carro sempre queria chegar logo ao destino para para poder começar a me divertir. Mas viajando de moto, o prazer começa ao ligar o motor no ponto de saída, segue por toda a viagem, a cada curva, a cada ponte, a cada reta e não termina no ponto de destino. Mesmo quando já estou em casa, depois de dias viajando, aquela sensação de satisfação continua viva em minhas memórias e nas lembranças dos momentos passados em cima da moto.

Assim deve ser o caminho de quem trilha o druidismo. Um prazer e um aprendizado constante que não acaba quando chega ao final. Isso porquê, círculos não tem começo nem fim.

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Microcosmo e macrocosmo.

Um dia druídico deve ser feito da mesma forma que um ano druídico e que uma vida druídica. Deve ser um dia todo dedicado aos Deuses, à Natureza Sagrada e à honra aos Ancestrais. Um dia para observar os ciclos no entorno e aprender com eles. Um dia para trazer conselhos, honras e cura à comunidade, à família e aos amigos. Um dia druídico é composto de orações, bençãos e oferendas. É feito de meditação e de aprendizagem.

Em um dia druídico você sente momentos de primavera, de verão, de outono, de inverno e novamente de primavera. Você percebe que tudo está em constante movimento circular e que a busca por equilíbrio é constante. Em um dia druídico todas suas atividades e seu trabalho devem ser feitos pensando como um druida.

Não há outra forma de viver a Tradição dos Druidas se não com dedicação em tempo integral, enxergando o druidismo em cada momento do dia. Todo dia.

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Temos uma missão nesta vida, mas muitas coisas acontecem que nos levam a seguir outros rumos, deixar nosso dever de lado e acabam nos atrasando. Coisas que acontecem sem que a gente espere ou coisas que nós mesmos nos impomos, achando que são realmente importantes. Na vida é necessário traçar prioridades e dar valor para as coisas que
realmente tem valor, tratando como supérfluos todo o resto.

Para seguir a trilha do Druidismo, o caminhante tem que estar disposto a dar a devida importância para sua prática espiritual e assim manter hábitos cotidianos que contribuam com seu crescimento. É necessário tempo para ler, para ouvir, para prestar atenção aos ciclos ao seu redor, para meditar e para aprender todos os dias. É necessário arranjar tempo para celebrar todos os festivais e além disso, para inúmeras outras práticas diárias.

O druidismo é um caminho que exige muito e é por isso que nem todos devem querer se lançar nele como ofício. É possível muito bem vivenciar o druidismo sem almejar tornar-se um druida, participando de cerimônias em uma clareira e até mesmo realizando ritos domésticos, porém sem se entregar completamente a esse caminho.

A trilha dos druidas exige prioridade e não permite que o estudante se distraia pelo caminho. É preciso manter foco e traçar objetivos. É fundamental entregar sua vida aos deuses dos Três Mundos e seguir nesta jornada com força e honra.

Mas é claro, que isso não quer dizer que você tenha que largar todo o resto e levar uma vida ascética, até porque a austeridade é uma caminho incompatível com o druidismo. Basta apenas levar sua forma de agir “druidicamente” ao seu cotidiano, no seu trabalho, nas suas festas, com seus amigos e familiares e onde mais você for e tratar os deuses com a importância que eles merecem.

E para um druida, eles merecem muita importância.

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“Tudo que é demais faz mal”, já dizia minha vózinha. Comer demais faz mal, trabalhar demais também, assim como dormir demais, falar demais, beber muito café ou até muita água. Todo tipo de excesso é maléfico, porque extrapola nossos limites e nos leva a condições extremas.

Isso sem falar dos fanatismos, que nos tornam cegos à outras possibilidades. Fanatismo religioso ou político, fanatismo por um time de futebol ou por um artista, fanatismo ideológico ou ufanista. Esse tipo de comportamento tende a fazer mal não só ao próprio fanático, quanto a todos que o rodeiam.

Da mesma forma, o contraponto também causa transtornos. Comer de menos também faz mal, assim como trabalhar pouco ou dormir poucas horas por noite. Ou ser totalmente alheio de assuntos políticos, religiosos, ideológicos ou sociais. Nem oito, nem oitenta. Nem um extremo, nem outro.

Pisar leve é seguir o Caminho do meio, o Nobre Caminho óctuplo dos budistas, buscar levar uma vida baseada na moderação e evitar os extremos. É buscar o equilíbrio diário e a harmonia no cotidiano, balanceando as polaridades para encontrar a paz interna.

É dever do druida, no seu ofício de curador e conselheiro, estar pronto para auxiliar sua tribo na busca pelo equilíbrio, pela paz e pela harmonia e portanto ele deve estar apto a ensiná-la a pisar leve e seguir esse caminho.

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“O trabalho dignifica o homem”.
Sempre ouvi essa expressão e agora refletindo sobre ela vejo como os temas destes 30 dias druídicos se complementam. Nosso trabalho é nosso papel dentro da comunidade; é o que fazemos por ela e o que esse esforço nos traz como benefício diário. Executamos nossas atividades para favorecer diversas pessoas e na senda druídica não é diferente.

O trabalho do druida é o de conhecer os ciclos, as plantas e os homens. De falar com os deuses e lhes prestar as devidas homenagens. De escrever canções e hinos que contam a história do povo e de não permitir que eles jamais esqueçam de onde vieram. É o ofício do druida honrar a terra onde pisa e de onde provém os alimentos. E também saber ouvir para ser justo, mantendo sempre o equilíbrio por onde passe.

É isso que dá sentido ao caminho do druida: servir aos homens e aos deuses e fazer deste um mundo melhor.

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Como falado no tópico anterior, o homem é um ser social e tem uma forte necessidade de estar com outras pessoas, com quem possa compartilhar seus sentimentos, suas dúvidas, suas angústias, suas vitórias e outros momentos de sua vida. Cada um tem suas especialidades e suas fraquezas e ao agrupar-se em Comunidade, o ser humano torna-se mais forte.

Separar um druida de sua comunidade é como retirar um peixe do rio: ele perde seu propósito e deixa de ter seu real valor.

Nos tempos antigos o sentido de Comunidade era mais claro e os druidas deviam agir em um clã ou tribo ou mesmo intermediando entre os clãs e tribos. Mas nos dias de hoje o sentido é expandido e podemos classificar como Comunidade um grupo de pessoas que possuam alguma coisa em comum, seja um determinado interesse, o local onde habitam, uma espiritualidade, um laço de sangue, a forma de levar a vida etc. E é por isso que os druidas de hoje vivem ao mesmo tempo em várias Comunidades, andando entre elas e levando seu druidismo a todas elas.

Para começar eles fazem parte de uma comunidade druídica (aqui no Brasil formada por clãs de diversas partes do país), de grupos de amigos, de uma família, de uma comunidade formada pelas pessoas da cidade ou bairro onde residem.

E é dever do druida levar seus ofícios a todas elas, usando seus dons de cura, oraculares, seu aconselhamento, seus conhecimentos. Além disso cabe ao druida guardar a história de suas comunidades e a passar adiante para as gerações futuras, sempre honrando sua ancestralidade.

Uma das Tríades diz que é dever do Druida curar a si mesmo, a sua comunidade e a seu Planeta. Como líderes espirituais, cabe aos druidas cuidarem dos membros de seu grupo, garantindo orientação nas questões éticas e morais e nas melhores maneiras de se relacionar com os deuses. Essa é a especialidade dos sacerdotes e é assim que eles podem fortalecer sua Comunidade.

E podemos considerar até mesmo o Planeta como um Comunidade gigante onde todos os homens, plantas, animais e demais seres tem em comum o lugar onde vivem. É por isso que o druida moderno precisa olhar sempre a sua volta e reconhecer seus semelhantes, para poder compartilhar com estes os dons dados pelos deuses.

Da mesma forma, aqueles que vivenciam o Caminho do Guerreiro devem garantir a segurança e proteger seu Clã, defendendo os interesses da Comunidade, mesmo que a espada fique embainhada na maior parte do tempo.

Existem ainda aqueles que alimentam o povo, aqueles que lideram, aqueles ensinam, aqueles que entretem. Cada pessoa, a exemplo das formigas e das abelhas, tem seu papel na Comunidade e o desempenhando com primazia e dedicando esses esforços aos deuses, estaremos fazendo um mundo melhor para todos.

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O respeito pelos Antepassados que é inerente ao druidismo representa nosso elo com o passado, da mesma forma que a Família é nossa ligação com o presente e nosso preparativo para o futuro.

Como era na antiguidade, a Família era um porto seguro, uma base onde se sabia estar entre pessoas que se podia confiar. E hoje deve ser da mesma forma: devemos ter consciência da importância em manter os vínculos familiares saudáveis.

E deve ser assim, pois se não confiarmos em nossos pais, irmãos, avós e filhos, em quem poderemos confiar? Quem poderá nos acalentar, alimentar ou proteger em momentos de dificuldade? E a quem poderemos dar nosso acalanto, alimento ou proteção quando estiverem precisando?

O homem é um ser social e sentimos a necessidade de nos agruparmos com outras pessoas com os mesmos interesses. E a força da sanguíniedade nos move em um interesse em comum: o desejo de perpetuar nossa hereditariedade.

E os amigos hoje em dia, quando não vivemos mais em pequenas tribos clânicas, assumem o mesmo papel, afinal eles são a família que escolhemos. Ainda mais para as pessoas que por algum motivo vivem longe de seus familiares, criando assim laços muito fortes nos círculos de amizade.

E é papel não apenas do druida, mas de todos, buscar manter boas relações com os familiares e com os amigos, sabendo que eles são um dos principais alicerces para uma vida feliz.

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Recorro mais uma vez à etmologia, como de praxe, para poder escrever outro texto desta série. E vemos que aa origem da palavra, consciência é o estado que quem sabe, ou seja, de quem está ciente de algo.

E o que é estar ciente? Bom, estar ciente é não andar no escuro e a cada passo dado levar em consideração os fatores que o cercam. É pensar nas pessoas ao seu redor antes de tomar uma decisão. É pensar no meio ambiente, na sociedade, nos deuses, nos nossos filhos e no nome dos nossos antepassados e ter certeza que estamos seguindo pelo melhor caminho.

Enfim, levar uma vida consciente é outra obrigação do druida, pois é necessário que ele esteja sempre de olhos bem abertos para que todas suas decisões levem em consideração o impacto que causará a si mesmo, ao seu povo e ao seu Mundo.

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